Para abrilhantar o evento, contamos com o “Trio A Piacere” da Filarmónica de Crestuma, que nos maravilhou com as suas belíssimas músicas.
De salientar a presença da Sra Vereadora do Pelouro da Acção Social da Câmara Municipal de Gaia, do Sr. Director do Solar dos Condes de Resende, dos representantes do PSD e PS na Assembleia de Freguesia e o Reverendo Pároco da Paróquia de Santo Ovídio, que muito nos honraram com a sua presença.
A História:
O Largo Estêvão Torres é, sem dúvida, um dos locais mais emblemáticos da Freguesia de Mafamude, apesar da sua história recente.
Local aprazível, onde crianças e mais idosos convivem lado a lado, o Largo está a ser sujeito a uma remodelação com o intuito de tornar o espaço mais agradável e propício ao descanso e ao convívio.
Apesar dos condicionalismos financeiros, a Junta de Freguesia, através do responsável desta área, está a levar a efeito o arranjo completo da área ajardinada e a restauração do seu fontanário que comemora, este ano, 100 anos de existência.
Construída em cantaria de granito com tanque circular e tendo no centro um obelisco quadrangular de onde saem duas bicas com forma de focinho de leão, esta fonte ocupa lugar de destaque no Largo Estevão Torres, em razoável estado de conservação, apesar da sua água ter sido considerada imprópria para consumo em 1988 e assim se ter mantido até hoje.
“A necessidade de uma fonte no Largo Estevão Torres desde há muito tempo se fazia sentir, tendo já, em Dezembro de 1870, João Bernardo Morais oferecido à Câmara uma nascente que possuía no lugar de Santo Ovídio, para abastecimento da população e para encanamento para o matadouro, reservando para si duas penas de água limpa. Esta oferta não teve eco no Município de Vila Nova de Gaia.
Em 1900 a questão volta a estar na mesa, ganhando, desta vez, dimensão pública. Um abaixo-assinado dos moradores dos lugares de Santo Ovídio, Rasa, Telhado e Monte Grande pede à Câmara Municipal a construção duma fonte no primeiro largo, do lugar de Santo Ovídio.
Argumentam que a água da única fonte existente na pendente norte do Monte Grande, segundo análise realizada pelo Laboratório Municipal do Porto, se encontrava imprópria para uso doméstico, e que, fazendo-se, no local, uma feira semanal de gado e plantas, muita sede passam aqueles animais e sacrifícios fazem os planteiros.
As vantagens decorrentes da construção da fonte não se ficariam, contudo, por aí, uma vez que do encanamento das suas vertentes resultaria num melhor abastecimento de água ao Matadouro, melhorando as suas condições higiénicas. Entre outras assinaturas, o documento inclui as de duas destacadas personalidades da Freguesia de Mafamude, José Nicolau de Almeida e Francisco Fernandes Dourado, eles próprios parte importante da questão, como proprietários da mina de água do Monte Grande, aonde se poderia ir buscar a água da fonte a construir.
Embora parecendo bem encaminhadas, as pretensões da população não tiveram, contudo, resposta imediata. No ano seguinte, em Junho de 1901 levantaram-se algumas questões quanto à escolha da mina. Silva Magalhães disse, em sessão camarária de 18 de Julho de 1901 que, para além das dificuldades que impediam que a obra se fizesse por conta da Câmara, como pretendiam os doadores, a mina de Nicolau de Almeida e de Dourado era pouco profunda e, por isso, oferecia poucas garantias de exploração
A solução definitiva surge apenas em 1909, depois de negociações entre o Vereador Rocha Romariz e o lavrador Joaquim Pereira Casteajo, em que este se comprometia a vender à Câmara a propriedade de uma mina recentemente aberta, denominada “Mina Nova” que possuía na sua quinta da Tapada da Mouta (ou da Maia como vem expressamente referido na planta guardada no Arquivo Municipal), no lugar de Laborim de Cima, pela quantia de um conto e duzentos mil réis. Uma situação formalizada pela escritura de venda, feita em 21 de Outubro de 1909, perante o notário Júlio Maria de Quadros Corte Real.
Nela fica acordado que o proprietário da mina tem direito a quatro penas de água que tomará conta á boca da mina somente quando a água não meça menos de doze penas, comprometendo-se a não abrir poços ou a fazer outras obras que possam prejudicá-la ou desviar-lhe a água. Pela limpeza e conservação da mina responsabilizava-se a Câmara Municipal, detentora da chave que lhe dava acesso.
O arquitecto municipal Lucas Júnior foi encarregado de elaborar as plantas para a construção da fonte e respectivo orçamento. Plantas e orçamento, que se encontram hoje no Arquivo Municipal e documentam de forma especialmente pormenorizada as várias fases da construção orçada num total de 5.284.600 réis. Tratava-se de uma obra que apresentava alguma complexidade porque, para além do encanamento subterrâneo que conduziria a água das vertentes para o Matadouro e para o Largo D. Pedro V (actual Jardim Soares dos Reis), previa a construção de um reservatório no subsolo do Largo de Santo Ovídio, com capacidade para 120 metros cúbicos de água.
O trabalho de canalização foi adjudicado, por 1.645.500 réis, a Soares Bastos e C.ª, da Rua de Mouzinho da Silveira, na cidade do Porto, e a obra de pedreiro e calcetaria entregue a José António, de Vilar do Paraíso, por 575.000 réis.
As obras terão decorrido em bom ritmo porque, no ano seguinte, a água não só já corria na Fonte, como o Matadouro Municipal já tinha água suficiente para garantir à população de Vila Nova de Gaia carne em boas condições de higiene. “
1910 é, aliás, a data inscrita na Fonte e que nos remete para o ano da sua inauguração.
in Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia
Voltar |